quarta-feira, 2 de maio de 2012

Jantar de Adesão


Luta hoje é pela redução da jornada

Ontem, terça-feira (01), em Belém.Dezenas de trabalhadores reuniram-se para por em pauta as conquistas e reivindicações. A (CTB) Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil fez uma grande manifestação com o tema “ Mais salários,mais emprego e mais desenvolvimento,se fez presente também a (CUT) Central Única dos Trabalhadores e outras forças representativas no ato central sindical estiveram na Praça da República,no centro da cidade, O Dia do trabalhador foi marcado por manifestações pacíficas,na manhã de para um ato cultural.

Os sindicatos se mobilizaram para pedir redução de jornada de trabalho e melhores condições salárias.”Além de comemorar o Dia do Trabalhador, queremos debater as bandeiras gerais,como redução de 44 para 40 horas semanais da jornada de trabalho, o combate ao trabalho escravo,melhores salários,redução real das taxas de juros,fim fator previdenciário e o cumprimento da lei da licença maternidade de seis meses”,disse  Cleber Rezende, secretário geral da CTB.

Aline Samia.

Investir em educação gera remuneração melhor

Voltar para a sala de aula. Essa é a forma que muitos brasileiros com emprego fixo encontraram para alcançar novos cargos e, com isso, aumentar a renda. Dividindo o tempo entre trabalho e estudo, o esforço tem recompensa: maior competitividade no mercado de trabalho, maior probabilidade de ganhar melhores salários e ascensão social.

A facilidade de voltar a estudar também motiva esse retorno. Programas do Governo Federal, como o Prouni e o FIES; bolsas de estudos fornecidas por projetos de intercâmbio como “Ciências sem Fronteira”; agências de fomento como CNPq, Capes, e outras instituições de ensino dentro e fora do Brasil trazem novas perspectivas.

No setor privado, a concorrência entre as faculdades particulares só faz crescer o número de cursos de graduação e pós-graduação, presencial ou à distância, com preços acessíveis.

E não para por aí. As empresas privadas também estão ajudando, ou melhor, investindo em funcionários que buscam mais conhecimento. A Hydro Alunorte, por exemplo, proporciona dois importantes benefícios aos empregados que pretendem seguir carreira na refinaria de alumina: o reembolso de curso superior e a bolsa de curso técnico profissionalizante. Atualmente quase 300 empregados recebem o incentivo da empresa para investir na qualificação profissional. “A empresa entra com uma parte das despesas e o empregado com outra. Esta é uma forma de incentivar os estudos de quem quer seguir carreira na fábrica. É uma forma de qualificar nossos empregados e trazer à empresa uma mão de obra especializada”, explica Cilene Sousa, consultora de RH da Hydro Alunorte.

O benefício se estende, também, ao empregado interessado em cursos técnicos nas áreas de segurança do trabalho, mecânica, eletromecânica, eletrotécnica, automação, química e metalurgia. A refinaria disponibiliza 100 bolsas com subsídio de 70% do valor do curso. A empresa pode liberar até duas bolsas, uma sendo para o empregado e outra para alguém da família, incluindo filhos de até 24 anos de idade.

O eletricista instrumentista, Claudinei dos Santos Matos, voltou para a sala de aula há um ano para cursar Engenharia de Produção. O incentivo dado pela empresa ajudou na decisão de voltar a estudar. “Foi mais um motivo pra eu tentar me formar em um curso superior. Eu quero concluir o curso e tentar subir de cargo na fábrica”, complementa.

No Grupo Alubar, os funcionários também possuem o benefício Ajuda Universitária. “O auxílio ressarci em até R$ 179,71 a mensalidade de cursos de graduação, pós-graduação e técnico. Basta o funcionário apresentar o boleto de pagamento do mês corrente para receber o benefício”, explica a analista de recursos humanos, Adilane Oliveira. Cerca de 60 funcionários utilizam por mês o subsídio, o que significa um investimento da empresa em mais de 10 mil reais por mês. “A gente faz isso para investir no funcionário. Se ele cresce, a empresa cresce junto”, acredita a analista.

Para o grupo, é importante ter funcionários cada vez mais capacitados. Sendo assim, alguns processos seletivos internos são realizados para ocupar cargos superiores, alguns até de liderança. Vislumbrando essa possibilidade de crescimento, a assistente financeiro, Maria Edna Trindade, não para de estudar. Ela, que começou como terceirizada de serviços gerais, conseguiu a contratação. Desde então, concluiu a graduação e, agora, está na pós-graduação com a ajuda do benefício. “Como a empresa está crescendo, quero me especializar para crescer junto. Tenho essa visão de futuro e pretendo continuar”, diz a funcionária, que mora, trabalha e estuda em Barcarena, no nordeste do Estado.

Mas, nem sempre é possível estudar próximo de casa. A técnica de processo da Imerys, Rosana Belo, enfrenta 40 km de estrada, de Barcarena a Belém, para estudar o curso de engenharia de automação, depois de oito horas de trabalho. "Chego em casa depois das 23h. Mas a minha maior motivação tem quatro anos de idade. Meu filho é quem me inspira para conquistar um futuro melhor. Tenho mais dois anos de batalha, mas tenho um objetivo em mente e vou conseguir alcançar esse sonho", acredita.

O eletricista, Leandro Frassate também pertence a esse time. Atualmente ele está no primeiro ano do curso técnico em Qualidade. Assim como os seus colegas de trabalho, vê a educação como a forma mais inteligente de atingir voos altos na empresa, que oferece benefício educação para todos os funcionários. "A Imerys me dá todo o suporte para crescer, então, vejo os estudos como uma oportunidade e não um sacrifício. Estou certo de que serei recompensado no futuro e faço isso por mim e pela minha família", diz.

Intercâmbio
O Projeto “Ciência sem Fronteiras” fruto do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC), por meio de suas respectivas instituições de fomento – CNPq e Capes -, e Secretarias de Ensino Superior e de Ensino Tecnológico do MEC, busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. O Projeto prevê a utilização de até 75 mil bolsas oferecidas pelo Governo Federal e mais 26 mil serão concedidas com recursos da iniciativa privada. Em quatro anos o projeto quer promover intercâmbio, de forma que alunos de graduação e pós-graduação façam estágio no exterior com a finalidade de manter contato com sistemas educacionais competitivos em relação à tecnologia e inovação. Para saber mais acesse o site: http://www.cienciasemfronteiras.gov.br

Cursos Técnicos
A pesquisa “As Razões da Educação Profissional: Olhar da Demanda”, feita pela Fundação Getúlio Vargas e Senai, coordenada pelo economista Marcelo Neri, mostrou que o número de pessoas que não tem interesse em fazer cursos técnicos ainda é muito significativo. Para o economista, o motivo do desinteresse pode ser a falta de informação, já que quem faz cursos técnicos aumenta a probabilidade de ganhar melhores salários. O economista garante que o mercado remunera bem quem tem esses tipos de cursos, principalmente a área de indústria e serviços de saúde. “Há um aumento de 14% no salário de quem faz um técnico médio em comparação quem faz apenas o ensino médio puro; e um aumento de 24% no salário de quem faz o superior técnico em relação de quem faz o superior puro”, afirma.

Para democratizar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica para a população brasileira, o Governo Federal criou em 2011 o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

Trabalhadores desfilam em Cuba a favor do socialismo


Centenas de milhares de operários, empregados e estudantes desfilaram neste 1º de maio em Havana com as cores da bandeira cubana devido ao Dia Internacional dos Trabalhadores, tendo o socialismo como norte.


Uma enorme faixa com a palavra de ordem "Preservar e aperfeiçoar o socialismo" liderou a marcha popular na esplanada da Praça da Revolução José Martí, da qual participaram o presidente Raúl Castro e dirigentes operários, do Partido Comunista, do Estado, do governo e de organizações políticas e sociais.

O desfile iniciado às 7h29 (8h29 de Brasília) foi liderado por um bloco de trabalhadores da saúde em Havana, setor emblemático da cooperação internacional cubana, presente atualmente em 66 países.

Vários participantes portavam as bandeiras das nações nas quais trabalham brigadas médicas cubanas, representadas em todos os continentes.

Bandeiras cubanas gigantes, cartazes referentes à celebração e as cores azul, vermelho e branco são os principais símbolos da manifestação, realizada simultaneamente em outras cidades do país.

Agrupados em 23 blocos, membros dos sindicatos, muitos deles com símbolos de seus ramos respectivos (como bonecas vestidas de enfermeiras, táxis, computadores, bicos e pás)marcharam diante do monumento ao Herói Nacional cubano José Martí.

Os manifestantes levavam fotografias do líder da Revolução cubana, Fidel Castro, e de revolucionários mundiais como Karl Marx e Vladímir Ilitch Lênin.

Foram predominantes os cartazes com as imagens dos Cinco Patriotas antiterroristas Gerardo Hernández, Ramón Labañino, Antonio Guerrero, Fernando González e René González, presos há mais de 13 anos nos Estados Unidos, bem como a exigência de sua liberdade e de seu imediato regresso ao país.

Por quase uma hora e meia, os participantes gritaram palavras de ordem em apoio à Revolução, ao socialismo e à liderança de Fidel Castro e Raúl Castro.

Cerca de 1.900 dirigentes sindicais de 209 organizações de 117 países presentes nos festejos estavam posicionados na tribuna, assistindo ao desfile de centenas de milhares de havanenses representando toda a população cubana.

Fonte: Prensa Latina

segunda-feira, 30 de abril de 2012

PESQUISA ELEITORAL: SE A ELEIÇÃO FOSSE HOJE, EDMILSON E PRIANTE ESTARIAM NO SEGUNDO TURNO

A Pesquisa foi registrada junto ao TSE e TRE/PA em cumprimento ao que dispõe o art. 33º e seus §§ 1º e 2º da Lei nº 9.504/97, assim como o art. 7º da Resolução TSE nº 23.364/201. O Número de registro da pesquisa é PA-00005/ 2012. Ela aconteceu no período de 18 a 21 de abril de 2012. Vale ressaltar a margem de erro de 4,0% sobre os resultados gerais da pesquisa, que totalizou um número de 630 entrevistas. Quem realizou a pesquisa em questão foi a Acertar Ltda.
Neste estudo o método utilizado foi o descritivo para a execução da leitura e interpretação dos dados coletados e na criação do banco de dados e no cruzamento entre variáveis, foram utilizadas técnicas estatísticas e recursos de informática. Os dados foram tabulados nos programas SPSS (Statistic Package for Social Sciences).
Vamos acompanhar a simulação eleitoral

Intenção de voto para Prefeito (Espontânea)

Na intenção de voto espontânea (sem o estímulo dos nomes) para o cargo de prefeito na eleição municipal do ano 2012, os dados da pesquisa mostram que 39,7% dos eleitores de Belém citaram em quem gostariam de votar. O ex-prefeito Edmilson Rodrigues lidera as intenções com 18,9% das indicações, seguido pelo Deputado Federal José Priante que alcançou 6,8%, Arnaldo Jordy obteve 5,2%, Almir Gabriel 4,0%, Zenaldo Coutinho 2,1% e Alfredo Costa obteve 1,7% das intenções de voto espontâneas. Os demais nomes citados não ultrapassaram o índice de 1,0%. Os indecisos somaram 54,9%
e 5,4% afirmaram que votariam em branco ou anulariam o voto.

Intenção de voto para Prefeito (Estimulado)

Na intenção de voto estimulado, com a apresentação de um cartão circular com os nomes de todos os possíveis pré-candidatos a prefeito de Belém, se a eleição fosse hoje, Edmilson Rodrigues obteria 38,1% da preferência dos eleitores, contra 16,1% de Priante – diferença de 22,0%. Seguidos de Almir Gabriel com intenção de voto de 12,4%, Arnaldo Jordy 11,1%, Zenaldo 8,3% e de Alfredo Costa que obteve 3,8%. Os votos brancos e nulos somariam 5,9% e 4,3% encontram-se indecisos.
Potencial de voto e rejeição dos candidatos à prefeitura de Belém

Na investigação da certeza de voto e da rejeição dos seis principais candidatos, nota-se que Edmilson Rodrigues tem expressivos 32,4% de certeza de voto e mais 37,0%, que poderiam votar nele mais também em outro, somando, portanto, um potencial de voto de 69,4%. Sua taxa de rejeição é de 29,8% e a de “não conhece o suficiente” de 0,8%.
Priante soma 62,5% de potencial de voto; 10,2% de certeza de voto e mais significativos 52,4% de poderia votar, rejeição de 35,1% e 2,4% de desconhecimento. Arnaldo Jordy soma 53,5% de potencial de voto (8,4% de certeza, e 45,1% de poderia votar), rejeição de 41,4% e 5,1% de não conhece o suficiente. Zenaldo Coutinho soma 41,1% de potencial de voto (4,6% de certeza de voto, e 36,5% de poderia votar) com rejeição de 49,8% e não conhece o suficiente de 9,0%. Almir Gabriel soma 42,1% de potencial de voto (10,3% certeza de voto e 31,7% de poderia votar) com rejeição de 57,9%. Quanto a Alfredo Costa apresenta 14,3% de potencial de voto (2,9% certeza de voto e 11,4% de poderia votar) com rejeição de 52,7% e não conhece o suficiente de 33,0%.

Avaliação de governo

Avaliação geral do governo Duciomar Costa (03 anos e 03 meses)
A aprovação ao governo de Duciomar Costa após 03 anos e 03 meses de seu segundo mandato atinge 36,2% (3,7% de ótimo, 14,1% de bom e 18,44% de regular positivo) entre a população eleitora de Belém, enquanto a reprovação soma 55,9% (10,5% de regular negativo, 11,1% ruim e péssimo 34,3%) avaliação regular-regular é de 6,8% e 1,1% não souberam opinar.
Em relação às variáveis sócio-demográficas, os segmentos mais desfavoráveis ao governo de Duciomar encontram-se junto às mulheres (56,6%), entre pessoas com 45 a 59 anos, correspondendo a (65,7%). Em relação à ocupação do entrevistado, os mais insatisfeitos são os autônomos (58,4%), os servidores públicos (57,1%) e as donas-de-casa (59,0%).

Operários de Belo Monte decidem volta ao trabalho

Os trabalhadores da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, em greve há uma semana, esperam uma nova proposta de acordo do Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM) entre hoje (30) e amanhã (1º), para decidir se voltarão ao trabalho na próxima quarta-feira (2).
Na última quarta-feira (25), o Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, em decisão liminar, considerou a greve dos trabalhadores ilegal. Os efeitos da liminar, no entanto, foram suspensos temporariamente depois de uma reunião entre as partes, mediada pela Vara de Trabalho de Altamira (PA). Mas se os grevistas não retornarem ao trabalho na quarta-feira, a liminar será aplicada. Ela prevê multa diária de R$ 200 mil.
O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada (Sintrapav), Roginel Gobbo, disse que os grevistas estão aguardando uma nova proposta do consórcio para então decidir se voltarão ao trabalho na data estipulada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. “Se não apresentarem nada, vamos nos reunir com a diretoria para decidir o que devemos fazer”. O CCBM informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não tem previsão de apresentar uma nova proposta e que está aguardando a volta ao trabalho na próxima quarta-feira.
Os trabalhadores reivindicam reajuste do vale-alimentação, dos atuais R$ 95 para R$ 300, e a redução do período entre as baixadas (folga dada aos trabalhadores para que visitem suas famílias em outros estados). A Justiça do Trabalho considerou a greve ilegal, porque o acordo coletivo firmado em novembro do ano passado ainda está em vigência.

De olho


O desembarque de Flexa, Couto e meio ninho tucano dia desses em Canaã dos Carajás para lançar a candidatura do filiado do partido por lá, mostra a importância da cidade.
Que em 2014 deve estar produzindo a mesma quantidade que Carajás produz, ou algo como 4 viagens de trens de 13 vagões cada, saindo por dia da Serra, cada vagão com 90 toneladas de minério, vezes 360 dias ao ano.
Consegue acompanhar as contas?
Os caciques tucanos, não só conseguem entender a conta, como já estão de olho nela.
Fonte:Blog do Bacana.

domingo, 29 de abril de 2012

PCdoB-Belém realiza Encontro sobre Emancipação da Mulher

No último sábado, no auditório da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB seção Pará, realizou-se o Encontro preparatório à 2ª Conferência Nacional do PCdoB sobre a Emancipação da Mulher.

Com a particuipação de dirigentes e militantes do Partido o Encontro desenvolveu intenso e profícuo debate sobre o documento base do Fórum Permanente sobre a Questão da Mulher para a 2ª Conferência.

Houve duas mesas, a primeira com o debate teórico sobre a posição do PCdoB sobre "Qual Emancipação queremos?", apresentado pela dirigente Eneida Guimarães e a segunda apresentada por Leila Márcia Silva Santos, presidenta do Comitê Municipal do PCdoB/Belém e membro do Fórum Nacional permanente sobre a Questão da Mulher, abordando a realidade das mulheres brasileiras e a participação das mulheres nas esferas partidárias.

O Encontro foi coordenado pela Secretária de Mulheres do Comitê Municipal do PCdoB/Belém, Eva Navegantes


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Amaro Lins

Por Paulo Fonteles Filho.


                              

Um dos grandes destaques da caravana de familiares dos desaparecidos políticos na guerrilha do Araguaia de 1980 foi o "aparecimento" da figura emblemática de Amaro Lins.
Amaro Lins era operário no Rio de Janeiro e militava no PC do Brasil desde a sua reorganização em 1962. Foi um dos primeiros a chegar no Araguaia e teve papel destacado na preparação do movimento insurgente, a mais elevada manifestação oposicionista ao tirânico regime dos generais. Como todos os que se deslocaram para a Amazônia teve de largar tudo, o emprego e a primeira familia, que só foi reencontrar na década de 1990 depois de quase trinta anos vivendo em terras paraenses.

O início de sua jornada, em 1967, seguiu a segura rota do Mato Grosso até aportar em Conceição do Araguaia, no Pará. A cidade situada na margem esquerda do rio dos Karajás e fundada pelo dominicano francês Frei Gil de Vilanova, ainda no século XIX, foi o local escolhido pelos dirigentes comunistas para ser o inicial ponto de entrada daqueles que, anos depois, se tornariam guerrilheiros quando as forças repressivas invadiram à região do Bico-do-Papagaio em 1972. 
 
Sabe-se que além da Amaro Lins, outros militantes como Orlando Osvaldo da Costa, Daniel Callado e Paulo Rodrigues teriam passado certo tempo em Conceição do Araguaia estudando a geografia da região, percorrendo as grotas, os caminhos de mata fechada, sempre no sentido de criar bases profundas para o estabelecimento das melhores condições materiais e políticas para enfrentar a ditadura militar brasileira.

Em 1968 já morava em São Geraldo do Araguaia numa gleba na beira do Araguaia com Paulo Rodrigues. Logo se juntaram Daniel Callado e o médico João Carlos Haas, com a tarefa de montar uma farmácia. As tarefas para atender a saúde da população local se confundiam com outras, como as de regatão, no comércio, na agricultura e na pequena mineração.

Por esta época Dinalva Oliveira e o marido Antônio Teixeira já estavam nas imediações, tocavam um açougue e faziam levantamentos geológicos numa região farta em pedras preciosas, como diamantes e ametistas. Ambos, com o endurecimento do regime de excessão largaram o confortáveis empregos de geólogos do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), na Bahia. 

O sucesso da luta no Araguaia dependia muito das condições materiais criadas na própria região, na atividade laboral. Não havia recursos de "fora" e o trabalho cotidiano foi um dos alicerces para - além de promover a economia da empreitada rebelde - a integração mais amiúde com os moradores araguaianos e a necessária compreensão das suas necessidades.

Tal economia foi que permitiu a abertura de vilarejos, como o "Patrimônio", na região dos Caianos: Arildo e Áurea Valadão davam aulas na currutela iniciada por Paulo Rodrigues.
Amaro Lins ia sempre na frente, abrindo picadas para introduzir os "paulistas" que depois ficariam conhecidos pelos camponeses como  "o povo da mata".
Nas lonjuras daqueles sertões foi que conheceu e se apaixonou por Neuza e com ela resolveu casar, numa das várias histórias de amor geradas à esteira da preparação do movimento guerrilheiro. Tais histórias de amor precisam ser contadas porque assim falamos da humanidade que só a resistência e a luta pela liberdade podem produzir.

Acontece que a necessidade da preservação da empreitada, cuja a segurança era estratégica, fez com que Amaro Lins tivesse um papel de "elemento de massa" quando as tropas governamentais atacaram as bases da guerrilha em abril de 1972. O apoio material e de informações eram suas principais tarefas.

Na caravana de 1980 Amaro Lins foi apresentado pelo advogado-do-mato Paulo Fonteles aos viajantes e prestou o seguinte depoimento:
"(...) foi em 1972 quando estourou a guerrilha (...) eles passavam pela minha roça e eu já tinha uma criança, o Vladimir e o "Juca" (João Carlos Haas) cuidava amigavelmente. Minha vida era só trabalhar e nada mais. Quando estourou eles entraram para dentro da mata, deixaram uma pessoa cuidando da fazendinha deles. Nessa época três elementos de metralhadora entraram na minha casa e eu não sabia de nada. Tinham prendido um bocado de gente e eu fui delatado (...) chegaram perguntando se eu era o Amaro e disseram-me: 'a guerra estourou' e eu respondi: 'guerra, guerra de quê?'. Um deles me disse: 'o caso é o seguinte: eu já sei de toda tua vida e a finalidade de tu estares aqui, já me contaram tudinho, não adianta mentir' (...) eu respondi: 'se você já sabe não adianta nem eu falar!'. Eles diziam que queriam que eu contasse minha história direito (...) fui levado para Xambioá onde passei nove dias, fui submetido a choques elétricos por três vezes e depois, no dia 22 de abril (de 1972) fui mandado para casa, no dia em que o Vladimir completava dois anos. Antes da sair eles disseram-me: 'tu vai para lá e se aquele "povo da mata" aparecer tu já sabes o que vai fazer, nos comunicar'. Uma semana depois que eu tinha chegado em casa apareceram vinte e dois soldados da Aeronáutica e queriam que eu acompanhasse a tropa até a casa do Pedro 'Onça' que ficava à sete léguas, mais ou menos vinte quilômetros. Naquele momento chegou um amigo da região, o seu Gilberto, com um animal. Fizeram um campo de pouso e prenderam-me de novo. Nessa ocasião senti o medo da morte porque um sujeito disse que eu dava comida para os guerrilheiros. O tal sujeito se chamava Manoel Carneiro e me delatou para ganhar dinheiro. Nos dois fomos humilhados, chegaram a botar aparelho de choque no saco do Manoel Carneiro que afirmava que eu sabia onde estava o pessoal e que fazia dois dias que chegara o pessoal: o 'Juca', Paulo Rodrigues e Daniel (Callado). O comandante parece que percebeu a mentira e pararam com a tortura (...) naquela época vi a Áurea (Valadão) chegando presa em Marabá (...) quando eu voltei vi o Daniel e o piloto dizia que ele ia para o 'Arexim' que por nós é conhecida como 'Marcilinense' (base militar localizada na beira do Araguaia, na atual Piçarra do Pará). A última vez que eu vi o Daniel ele ia sair com oito militares (...) Daniel e Áurea foram mortos covardemente, não foi em combate (...) quando estourou a guerrilha eu morava na 'Água Saloba' e o 'Jorge' (Bergson Gurgão) foi o primeiro a tombar na região. Nessa ocasião o Paulo Rodrigues apareceu junto a minha casa e me disse que havia marcado um encontro com um tal de 'Cearense', que morava perto dele e que era muito amigo (...) o Paulo tinha pedido (...) para comprar pilha e algumas coisas. Eu disse ao Paulo: 'companheiro você não devia ter se identificado' (...) eu vinha de Araguanã  e disse que o tal 'Cearense' não era de confiança. 'Não vá!', disse-lhe.  O Paulo Rodrigues me respondeu: 'será? eu já marquei'. No dia seguinte escutei na beira dos Caianos uma rajada de metralhadora. Pensei: 'acabou com o pessoal'. Uma parente da Neuza chorava e dizia: 'acabaram com o Paulo Rodrigues e todo mundo'. As tropas chegaram de noite, dormiram pela área (...) aquele infeliz do 'Cearense' é que foi o culpado (...) pude ver um helicóptero baixando e pegou o 'Jorge'. Um praça foi baleado e outro morreu em Belém (...) no outro dia Paulo Rodrigues apareceu lá onde eu estava e me disse: 'aquele informe que você deu foi certo mesmo, só não foi todo mundo porque nós fomos vivos mas o "Jorge" ficou' (...) desse dia em diante, ele, Paulo Rodrigues não apareceu mais (...)".

Suas informações, estimulou vários lavradores a falar sobre a repressão praticada pelas tropas governamentais. Em tais depoimentos atestou-se que vários dos desaparecidos na guerrilha foram presos e que, sob a custódia dos militares, foram assassinados e tiveram mãos e as cabeças cortadas. Tal barbarismo era para efeito de identificação, realizadas em Brasília ou em Belém do Pará.

Acerca de sua retomada na atividade política revelou:
"(...) fiquei todo esse período sendo vigiado, isolado. Depois de muito tempo apareceu uma missa diferente e eu estava sem documento e apareceu um padre por nome Aristide (Camió) por lá, celebrando missa com os lavradores, achei a missa diferente e fui conversar com o padre e me identifiquei para ele e contei a minha história (...) estou aqui até hoje e sou membro do Partido (...) o padre me disse: 'hoje vai vir uma pessoa que quer conversar com você'. É quando chega o Paulo Fonteles e desse dia para cá é o dia em que me liguei ao Partido até hoje (...) por intermédio do padre, me liguei ao Paulo Fonteles (...) fui até Belém (...) foi melhor eu não morrer para contar a história da nossa luta (...) estou firme para o que der e vier e caso amanhã precisar de um combatente contra a classe dominante o Amaro ainda tem força para fazer qualquer coisa em beneficío do nosso Partido (...)".

Vai amanhecendo o dia e ao escrever este artigo vou lembrando-me da passagem de Amaro Lins com a família por Belém, no início de 1980. Com os tons rubros da alvorada recordo-me que a família ficou muito tempo em casa, hospedada, coisa muito comum na minha infância.
Por aqueles dias bem distantes tive o primeiro entendimento da luta que meu pai travava e isso aconteceu pelo fato de ter reclamado com "aqueles camponeses haviam ocupado o meu quarto". Tal comentário fez com que rapidamente me respondesse "que não admitia que filho seu falasse assim dos camponeses, pois que eles me dão suas redes para dormir e me protegem a vida". Nunca mais dei um pio e na forma infantil de entender as coisas sabia que eles eram o sal da vida daquela generosa existência ceifada pela vileza do grande latifúndio, em junho de 1987.

Amaro Lins faleceu no início da década passada deixando-nos o precioso legado que só a luta do povo pode engendrar, de muitos combates, sempre por causas justas e civilizatórias.
Neuza Lins e os filhos Vladimir, Carlos, Maurício e Helenira continuam em São Geraldo do Araguaia e seguem o legado do patriarca "de viver a vida do Partido".

São como irmãos que a vida nos dá, irmãos de classe, irmãos da igualdade, irmãos para que a vida prossiga como este sol que vai banhando-me o rosto na exata hora em que tudo amanhece.    

Estados da Amazônia preparam carta para a Rio+20


Enquanto diversos países debatem o esboço de um documento sobre desenvolvimento sustentável que deve ser apresentado na Rio+20, os Estados da Amazônia já têm um.
Governadores e técnicos de nove Estados (AC, AM, AP, MA, MT, PA, RO, RR e TO) trabalham há dois meses em uma carta de propostas e compromissos que deve ser apresentada no evento.
A versão preliminar está pronta. Agora cada Estado começa a ouvir representantes da sociedade para incluir propostas ou fazer mudanças.
Todos têm até o dia 15 de maio para entregar as novas versões.
Um site para votação de propostas deve estar no ar ainda nesta semana, segundo a secretária de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, Nádia Ferreira, uma das idealizadoras da carta.
Chegar a um consenso, diz ela, foi o que demandou mais esforços para chegar às 24 páginas. “Querem nos rotular como iguais, mas não somos.”
Em Mato Grosso, exemplifica Ferreira, o agronegócio é um dos temas de maior destaque. No Amazonas, esse papel cabe à política de incentivo industrial.
Entre os 145 tópicos apresentados no documento, estão a demanda da repartição dos royalties do pré-sal e a implementação de políticas de incentivo para aumentar o consumo de produtos sustentáveis.
A carta também sugere a criação do Conselho de Desenvolvimento Sustentável para a Amazônia Legal até 2013.
“Esperamos que [a união dos Estados em torno de mesmos objetivos] influencie a negociação.”
Por enquanto, a maioria dos pontos está sendo validada pela população no Amazonas, adianta o coordenador do Centro Estadual de Mudanças Climáticas, João Talocchi. A contribuição da sociedade civil tem vindo em forma de adição de propostas, como educação, em encontros organizados pelo Estado.
Exposição - Representantes dos nove Estados da Amazônia Legal também decidiram fazer uma exposição conjunta na Rio+20.
O estande de 600 m² terá exposição de produtos da região e espaço para que Estados com mais biomas, como o Pantanal, o cerrado e a caatinga, exponham suas particularidades. Também haverá espaço comum para eventos. (Fonte: Raquel Bocato/ Folha.com)

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Biodiesel de fruto da Amazônia pode levar luz elétrica a comunidades rurais


Um pequeno fruto abundante na Amazônia pode ser uma alternativa para solucionar o déficit de energia elétrica na região, de acordo com um projeto do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
O tucumã, encontrado na palmeira de mesmo nome, se tornou matéria-prima na produção de biodiesel capaz de movimentar geradores empregados no fornecimento de luz elétrica para comunidades rurais.
Pesquisadores do Inpa conseguiram extrair da semente do fruto um óleo vegetal que pode ser transformado em “combustível natural” após um processo químico.
Segundo Sérgio Nunomura, pesquisador do instituto, a necessidade de se criar formas alternativas para a geração de energia levou um grupo de cientistas a desenvolver testes com o tucumã.
“Testes laboratoriais mostraram que é possível movimentar um gerador com o biodiesel de tucumã. Isto poderia contribuir com comunidades isoladas da Amazônia, onde ainda não existe energia elétrica”, explica Nunomura.
Energia como desenvolvimento – De acordo com o pesquisador, atualmente cerca de 500 comunidades do Amazonas passam por dificuldades devido à falta de luz elétrica.
“É um dos principais empecilhos para melhorar o índice de desenvolvimento humano na população do estado. Sem energia, não tem como preservar o alimento, fica difícil o acesso à educação e à comunicação. [O óleo de tucumã] seria uma alternativa natural ao problema”, explica.
A palmeira tucumã dá fruto o ano todo, segundo o Inpa. Cada unidade produz até três cachos contendo cerca de 130 frutos. A produção do biodiesel resolveria ainda um problema ambiental detectado em Manaus: o manejo dos resíduos do tucumã.
Isso porque o fruto é empregado na culinária amazonense, tendo como principal representante o sanduíche batizado de “x-caboquinho”, que é pão, queijo coalho e o fruto picado – iguaria apreciada principalmente no café da manhã.
“Só que hoje, as sementes, principal matéria-prima do biodiesel, vão para o lixo. A produção em massa desse combustível alternativo poderia reutilizar os restos deste fruto, evitando o desperdício”, diz Nunomura.
Ainda não há previsão para início de uma produção em larga escala do combustível, já que o biodiesel ainda segue em fase de testes.
Cadeia produtiva – Entretanto, o pesquisador ressalta que são necessários investimentos maciços em maquinário para conseguir produzir este combustível em massa nas regiões mais isoladas. Sem especificar valores, Nunomura cita, por exemplo, a criação de uma cadeia produtiva para que o projeto de biodiesel natural dê certo.
“É preciso uma organização nas comunidades e investimentos nelas. Quando você leva energia elétrica para essas regiões, gera um grande potencial econômico que precisa ser administrado. Deste modo, a formação de cooperativas é essencial”, disse. (Fonte: Eduardo Carvalho/ Globo Natureza)


terça-feira, 24 de abril de 2012

Por valorização, servidores de todo o país cruzam os braços


Trabalhadores do serviço público de todo o país irão fazer uma paralisação massiva nesta quarta-feira (25), exigindo do governo federal a valorização de seus salários. No total, 31 entidades sindicais – entre elas a CTB – apoiam o movimento, que deve ser o primeiro passo de uma campanha de mobilização de toda a categoria.

Para João Paulo Ribeiro, secretário do Trabalhador do Serviço Público da CTB, o Dia Nacional de Lutas marcado para esta quarta-feira (25) será um grande teste para a categoria. “O tamanho da nossa vitória será o tamanho de nossa luta. As repartições serão fechadas em todo o país. Queremos inviabilizar que qualquer espaço público seja aberto. É um absurdo o que está acontecendo. O governo investe em diversas áreas, mas há três anos sequer conversa conosco”, afirmou.

Ribeiro, que também é dirigente da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra), lembra que durante os primeiros anos do governo Lula houve alguns avanços, mas no período mais recente o funcionalismo público tem estado à míngua. “Posso dar o exemplo da Fasubra: lá não temos reajuste real há três anos. Tivemos apenas a reposição da inflação do período”, destaca.

Na opinião do dirigente, além da desvalorização dos trabalhadores do serviço público, o resultado dessa política do governo federal é alta rotatividade que tem sido vista. “O profissional acaba ficando pouco tempo no cargo. Como não é valorizado, ele acaba prestando outros concursos”, explica Ribeiro, destacando também que essa situação acaba prejudicando os servidores com mais tempo de dedicação ao funcionalismo público. “A prioridade hoje tem sido a de valorizar apenas quem está chegando ao setor público. Aqueles com décadas de trabalho, perto de se aposentar, é que estão sentindo na pele esse problema.”

Melhorias para a sociedade

A organização do Dia Nacional de Paralisação divulgou um documento no qual explica os motivos do protesto. Segundo as entidades, o governo federal tem se mostrado pouco disposto a conversar com as 31 entidades que articulam o movimento. “Sempre com um discurso de austeridade imposto pela crise internacional, até o momento o governo tem dito ‘NÃO’ a todas as demandas urgentes apresentadas pelos servidores para garantir melhorias e consequentemente qualidade no atendimento público”, diz o texto.

“Tratados até agora com descaso no processo de negociações com o governo, os servidores públicos precisam reagir e lutar se quiserem ver atendidas suas demandas mais urgentes. Demandas que são a ponte para se alcançar as melhorias de que o setor público tanto necessita”, dizem as entidades, que nesta terça-feira seriam recebidas por representantes do Ministério do Trabalho, em Brasília.

Fonte: Portal CTB

Cine Olympia completa 100 anos


Cine Olympia completa 100 anos com grande programaçã​o cultural
Um século depois da inauguração do “esplendido e brilhante Cinema Olympia, admiravelmente installado, em soberbo edifício”, como descreveu a reportagem do jornal A Província do Pará de 25 de abril de 1912, um dia depois da abertura, o espaço ganha uma grande programação com direito a recital com execução da Valsa Olympia, tocada na estreia do cinema, exibição de filmes e lançamento de livro sobre a história e importância do local para a cultura paraense.

A festa está marcada para esta terça-feira, 24, e encerrará no Theatro da Paz com o show da soprano Carmen Monarcha. A apresentação inclui temas de filmes e interpretações de autores brasileiros como Chico Buarque, Vinicius de Moraes e Villa-Lobos.“Toda a programação foi montada com a colaboração de gente que veio aqui se oferecer para ajudar. Pessoas e empresários que espontaneamente se propuseram a contribuir com homenagens ao centenário. Isso porque a população de Belém tem paixão pelo Cine Olympia”, conta Nazaré Moraes, há cinco anos gerente do Cine Olympia.
Ela garante ser um privilégio estar à frente do espaço, diante do carinho manifestado pelo público. “Só para se ter uma ideia, nós fizemos a exibição de doze filmes já em alusão aos cem anos do cinema e o público foi muito participativo. O encerramento foi com ‘E o vento levou...’ e as pessoas aplaudiram de pé espontaneamente. Isso foi muito tocante”, emociona-se Nazaré.

Neste domingo, 22, centenas de pessoas lotaram o Cine Olympia para discutir temas relacionados à produção cinematográfica no seminário "O primeiro século do cinema Olympia: histórias, desafios e perspectivas", que abriu as comemorações pelo aniversário do mais antigo cinema em funcionamento no Brasil.

A programação teve ainda a exibição dos filmes "Matinta" de Fernando Segtowick e "Ribeirinhos do Asfalto" de Jorane Castro. “Eu vim aqui para rever o cinema e assistir um filme porque deu saudade”, conta a enfermeira aposentada Bárbara Carvalho, que diz ter frequentado muito o espaço durante a adolescência.

Dos cem anos do Cine Olympia, mais da metade teve grande importância na vida do casal de críticos de cinema Pedro Veriano e Maria Luzia Álvares. Foi lá que os dois se conheceram durante uma sessão e iniciaram um romance que hoje soma cinquenta e cinco anos entre namoro, noivado e casamento. Ainda hoje, a relação da família com o espaço é estreita. Na noite do centenário, eles vão lançar o livro "100 Anos da História Social de Belém (1912-2012)", onde recontam detalhes sobre a vida cultural da capital paraense vivenciada no Olympia. “Eu venho pra cá desde bem pequeno. Via tudo que é tipo de filme, inclusive grandes produções e os dramalhões mexicanos. Foi onde aprendi muito de cinema”, conta Pedro Veriano. A esposa Maria Luzia, explica que a paixão do casal contagia o restante da família. “Nossas quatro filhas são apaixonadas por cinema e os nossos netos também”, relata orgulhosa.

Também testemunha e participante da história das ameaças de fechamento e reabertura do Cine Olympia, o operador cinematográfico, ou projetista como é mais conhecido, Luiz Otávio Muniz, se emociona ao falar da relação com o espaço. Há 21 anos na atividade, ele atuou nos cinemas Palácio, Nazaré e Iracema, todos pertencentes ao mesmo grupo do Olympia, e viu uma a uma as casas de exibição fecharem as portas. “Em 2005, a gerente me chamou para falar que o DVD tinha provocado uma crise no cinema e dizer que eu estava demitido”, relata.

Pouco mais de um ano depois, Luiz voltou ao cinema na reabertura do cine Olympia pela Prefeitura de Belém após a mobilização da sociedade contra a ameaça de fechamento do espaço. “Isso aqui é minha vida, passo mais tempo no cinema do que em casa com a minha família. Agora estou ensinando para o meu filho como se faz a exibição”, conta.

Nesta terça-feira, a comemoração dos cem anos do Cine Olympia pretende relembrar a grandeza da abertura do espaço que recebeu a elite da sociedade belenense em um grande evento social na noite de 24 de abril de 1912, com a apresentação de orquestra.

Para relembrar a data, haverá execução da música do centenário composta pelo maestro Altino Pimenta na década de 70 em homenagem ao cinema e também uma peça composta pelo músico Salomão Habib também para homenagear o espaço. A programação será restrita para quinhentos convidados entre autoridades e personalidades da cultura paraense. Oito pessoas serão condecoradas pela importância na história do centenário.


Serviço:
Celebração dos 100 anos do Cine Olympia

Data: 24 de abril (terça-feira)

Hora: 18h30

Local: Cine Olympia – Avenida Presidente Vargas com Primeiro de Março.



Em entrevista à ANN, Jorge Panzera, presidente do PC do B e pré-candidato do partido à Prefeitura de Belém


O entrevistado de ontem (23) da Agência Norte de Notícias (ANN) é Jorge Panzera, atual dirigente estadual do PC do B no Pará. Como ele mesmo se define, é um militante da luta política e do povo, que começou como estudante na década de 80, ainda no movimento secundarista, sendo depois presidente da UJS. 
Panzera sempre militou no PC do B, desde a legalização do partido, no qual construiu uma história de luta. No governo de Ana Júlia, Jorge Panzera foi subchefe da casa civil e Secretário de Esportes e também já se candidatou a deputado federal pelo partido. Neste ano, ele é o pré-candidato do PC do B á prefeitura de Belém.
1 - Como o senhor avalia este primeiro ano do governo Jatene?
- Avalio como um governo medíocre, sem realização, sem pensar em desenvolvimento do Estado, um governo que é apenas “mais do mesmo”. Veja o que foi apresentado como agenda mínima: segurança, saúde e educação. Belém foi considerada a segunda cidade mais violenta do mundo, a insegurança é cada vez maior. 
Criou-se circunstância para “maquiar dados” de chacinas e outras violências, como jovens matando jovens, ou seja, matando o próprio futuro. Não há segurança pública, o Pará voltou a figurar nos dados da violência no campo.
Falando sobre saúde, no final de 2012, o Ministério Público constatou que Belém tem a segunda pior saúde pública do Brasil, e o Pará a pior saúde do Brasil. A crise que ocorre entre Prefeitura e Governo mostra a incapacidade de gestão. Os problemas são os mesmo de sempre e continuam ocorrendo, uma cena absurda.
Na educação, os professores estão fazendo greve para que o governo cumpra a lei e o governo de Jatene está contra a lei, colocando a polícia contra os professores para garantir que não seja feito o pagamento, que é deles por lei.
A gestão de Jatene lançou uma agenda mínima que é literalmente, mínima mesmo. 
Podem argumentar que é o primeiro ano de governo, mas antes foram doze anos de gestão, os quatro anos de Ana Júlia foram apenas um intervalo. Há programas abandonados, como o NavegaPará, entre outros. 
As coisas continuam sem um caminho concreto. O governo deveria aproveitar o momento do Brasil, que está em crescimento, mas não aproveita. Nossa solução é construir um caminho para derrotar o PSDB em 2014.
2 – O que o senhor acha da gestão de Duciomar Costa?
- A grande notícia é que a gestão de Duciomar está chegando ao fim. Para quem conviveu oito anos com esse governo, oito meses não será nada. O governo Duciomar não tem nenhuma coordenação, não há interrelação entre as nomeadas coordenações, não há planejamento, e ainda existe uma subserviência da Câmara Municipal, que excluiu conquistas históricas da população, como a discussão do Plano Diretor em conjunto com o povo. Não há um olhar para uma cidade como está a nossa, há crise na saúde. Este é um governo que é só marketing, assim como o do Jatene.
3 – O que você acha do BRT?
- O BRT é impossível de ser definido, é um “abacaxi” que será deixado para o próximo governo. O problema é que é um mistério. Só se viu uma maquete eletrônica, é um segredo ou ele realmente não existe, é uma jogada, cheio de suspeita, não foi discutido com a população. Problemas de uma cidade como Belém não podem ser resolvidos assim. Aqui também entra o governo do Estado, que deveria articular com os prefeitos. É um projeto que parece que foi feito apenas para ter um financiamento, uma janela para uma empresa entrar. 
Um projeto como esse teria de ser pensado de acordo com o interesse da cidade, não copiado do modelo de outra metrópole. Em Belém deveriam ser aproveitadas as vias mais largas, pois o projeto atual de ordenação do trânsito na cidade gera congestionamento em determinadas áreas e faz com que o transporte público tenha pouca racionalidade.
4 – Em sua opinião, quais os problemas mais urgentes a serem resolvidos em Belém?
- Temos questões que precisam ser pensadas. A do trânsito é uma. A da saúde também, mas é um problema do Brasil inteiro, que perde em maior ou menor grau nessa área. No caso da saúde, a meu ver, seria necessário inverter a lógica atual, uma saúde que trata depois que a pessoa já está doente. A lógica seria cuidar primeiro, impedindo que as pessoas ficassem doentes, fazer um esforço grande de prevenção, principalmente para a saúde da família, que é algo urgente e necessário.
O problema da educação é não ter tido soluções. Temos uma carência muito grande, uma ausência do poder público, que deveria se dedicar, fazer uma reforma urbana, com saneamento básico, e dar uma atenção melhor. A iluminação pública pode ser melhorada, para melhorar também a segurança. A violência deve ser “atacada”, devemos cuidar das praças, que são patrimônio do paraense, e que não existe em alguns bairros da capital. 
Volto a dizer, vivemos um período no Brasil em que dá para captar recursos. Aí você pode me perguntar, onde captaremos recursos para resolver esses problemas? Projetos bem construídos podem captar recursos para enfrentar as questões que eu levantei.
5 – Como pode ser resolvido o problema do saneamento na capital?
- O problema aparente são os alagamentos, mas há problemas que geram isso. Deveria haver um tratamento de esgoto, políticas de recolhimento de lixo e de resíduos sólidos, a cidade fica mais limpa e gera emprego e renda. É necessário dar continuidade á macrodrenagem do Uma, da bacia do Tucunduba, refletir um preparo que tivesse efetivamente o saneamento básico, que geraria melhores condições, um conjunto de políticas para pensar o saneamento. 
6 – Como o PC do B se prepara para as eleições deste ano?
- Temos projetos, ideias, soluções são afloradas, levando pré-candidatos, participando de debates e também juntando forças com políticos, intelectuais e outras categorias. Temos conversado com outros partidos buscando entendimento, estamos juntos na disputa eleitoral e nosso partido tem feito esse esforço, conversando com outros partidos sobre soluções que podemos encontrar juntos, que forças políticas podemos juntar, idéias similares, com setores que estão na base governista da presidenta Dilma. 
Conversamos com esses partidos para, mais à frente, com eles, disputar a eleição. O PC do B entende que também é uma eleição para vereadores que renovará a Câmara, que, como eu já citei, é subserviente aos ditames da prefeitura. Um exemplo disso foi a aprovação do BRT. A Câmara deveria ser democrática, participativa.
Também queremos construir candidaturas representativas lá, que contribuam para o Legislativo, para apresentar um conjunto de nomes qualificados e comprometidos.
7 – Com quais alianças o partido já conta para as eleições de 2012?
- Não temos nenhuma aliança configurada, mas temos diálogo com o PT, PV, PSOL, PT do B, PPN e estamos abertos para dialogar com o PSB e PDT, além de temos conversado com o PMDB também. Boa parte desses partidos já tem candidatos apresentados. 
Nosso interesse é construir alianças com vários partidos, pois também temos o nosso já apresentado. estamos vivendo um momento de diálogos cada vez maiores, mais intensos. Acreditamos que poderemos até estar à frente e ter um conjunto desses partidos conosco.
8 – E no Estado, o PC do B pretende lançar quantos candidatos?
- Hoje o PC do B deve ter em torno de 15 a 20 candidatos apresentados em todo o Estado, em especial nas cidades de Belém, Tucuruí, Abaetetuba, Cametá, Itaituba, Tailândia, Brejo Grande do Araguaia, Colares e Itupiranga, entre outras. Há também muitas cidades onde pleiteamos a vice-prefeitura. Temos 300 a 400 candidatos a vereador em todo o Estado; 50 somente em Belém e 25 a 30 em todo o Estado.
Por Redação ANN em 23/04/2012